Ao longo das nossas pesquisas na Feedelize, percebemos uma inquietação crescente entre jovens estudantes e profissionais sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho. É fácil entender o motivo. O avanço dessa tecnologia mudou a dinâmica das profissões, causando dúvidas, inseguranças e, acima de tudo, um certo pessimismo entre as novas gerações.
O clima de pessimismo entre estudantes e jovens profissionais
Hoje, cerca de dois terços dos estudantes afirmam estar pessimistas sobre o mercado de trabalho. Não paramos por aí: mais da metade acredita que a presença da inteligência artificial amplia ainda mais esse sentimento. Para nós, esse dado mostra uma mudança de percepção importante: Jovens sentem que as oportunidades tradicionais estão diminuindo e que as chances de construir uma carreira estável parecem cada vez menores.
Esse quadro se reflete nas decisões dos próprios estudantes e profissionais:
- 39% dos estudantes já pensaram em trocar de curso devido à influência da IA;
- 24% dos trabalhadores cogitaram mudar de setor por causa da tecnologia;
- 50% dos estudantes afirmam que a IA fez a faculdade parecer menos útil.
“A IA mudou até o valor da educação na cabeça de muitos jovens.”
Vagas de entrada em risco: percepção compartilhada
Há uma impressão consolidada de que as vagas para iniciantes são as mais vulneráveis frente à automação. De acordo com nossa base de conhecimento:
- Mais da metade dos trabalhadores e dois terços dos estudantes acreditam que as posições de entrada são as mais ameaçadas pela IA;
- Curiosamente, apenas 29% enxergam riscos reais para cargos mais seniores.
Essas informações nos mostram como o medo da substituição é muito mais intenso à medida que a carreira está começando. Jovens sentem-se especialmente pressionados a repensar trajetórias, buscar diferenciais e, não raramente, considerar mudanças drásticas, mesmo no começo da jornada.
Diferenças conforme área de estudo ou atuação
As opiniões também variam de acordo com a área de formação:
- Estudantes de engenharia tendem a ser mais otimistas quanto ao futuro;
- Já quem está nas ciências sociais e computação demonstra maior preocupação com a perda de vagas.
Interessante observar que, mesmo em áreas ligadas à própria tecnologia, o futuro não é visto com otimismo total. O receio maior, claro, está nas profissões em que as tarefas repetitivas e automatizáveis são predominantes.
Motivos para evitar a IA: ética, privacidade e confiança
Muitos estudantes ainda relutam em adotar a inteligência artificial por razões que vão além do medo de perder espaço profissional:
- 72% evitam o uso da IA por questões éticas, dúvidas quanto à precisão e preocupações com privacidade;
- Destacamos um contraste curioso: 36% dos estudantes evitam a IA por preocupações ambientais, contra apenas 19% dos trabalhadores.
Isso mostra que, apesar de viverem rodeados de tecnologia, os jovens ainda têm reservas importantes. O debate sobre o uso seguro, transparente e sustentável da IA é visto, por eles, como algo relevante desde já.

Restrições e resistência ao uso da IA em vagas de entrada
Pelo olhar dos jovens e trabalhadores, aplicar IA logo no início de uma trajetória profissional pode ser negativo para o desenvolvimento das habilidades humanas e sociais:
- 57% dos trabalhadores e 64% dos estudantes acham que empresas deveriam desencorajar o uso da IA nas funções de entrada;
- Esse dado se soma a outros que indicam uma preocupação com a formação profissional além da tecnologia.
Essa resistência deixa claro que, para quem está começando, o desejo por aprendizado prático e interação humana ainda fala mais alto.
O dia a dia: como a IA já está presente na busca por emprego
Apesar da cautela, muitos já usam IA nos processos seletivos:
- 34% dos estudantes utilizam IA para criar currículos;
- 31% usam para cartas de apresentação;
- 24% recorrem para se preparar para entrevistas.
Efeitos práticos são sentidos por aqueles que aderem à tecnologia de forma recorrente:
- 73% relatam ganho de produtividade;
- 68% dizem economizar tempo;
- Perto de um terço desses jovens usa IA em mais de 25% das atividades.

Avaliação do próprio futuro: IA como ameaça ou aliada?
Apesar do aumento na quantidade de tarefas automatizadas, quase 55% dos trabalhadores acreditam que a IA poderá executar tão bem quanto eles pelo menos parte do trabalho em breve. Cerca de 30% imaginam que ao menos um quarto de suas tarefas terá sido assumido por sistemas autônomos num futuro próximo.
Quando ouvimos diferentes gerações, as respostas mudam. A Geração Z é claramente a mais pessimista: 31% julgam o mercado de trabalho ruim, muito acima dos millennials (22%), geração X (17%) e boomers (13%).
Para a maioria dos trabalhadores, a economia ainda é apontada como a maior ameaça (42%). Mesmo assim, 17% já veem a IA diretamente como grande risco ao próprio emprego, e 16% acreditam que a má gestão contribui mais para a insegurança.
Entre os profissionais de tecnologia, essa sensação só cresce: 19% veem suas posições menos seguras por conta da IA, chegando a 37% entre os realmente inseridos no setor.
Mudança de habilidades e busca de novos caminhos
Quase metade dos estudantes e trabalhadores já cogitou mudar o tipo de habilidade que busca desenvolver devido ao avanço da inteligência artificial. Para muitos jovens, migrar de setor parece ser uma saída racional diante do novo cenário. As preferências de quem deseja mudar são claras:
- Saúde
- Educação
- Tecnologia
- Construção civil
Ao mesmo tempo, 9% dos trabalhadores e 8% dos estudantes já trocaram ou planejam atuar em trabalhos mais manuais. Outros 24% dos estudantes declaram, vez ou outra, pensar nesse tipo de ocupação.
Competências do futuro: soft skills em destaque
Apesar do crescimento das tarefas feitas por IA, apenas 30% dos trabalhadores veem fluência nas ferramentas como diferencial realmente valioso. Para a maioria, habilidades comportamentais continuam na frente:
- Pensamento crítico (46%)
- Criatividade (43%)
- Comunicação (40%)
As soft skills seguem sendo vistas como as competências mais valiosas para navegar pelo mercado de trabalho do futuro.
Inclusive, metade dos estudantes e cerca de um terço dos trabalhadores acham que usar IA nos processos seletivos não é indispensável. Apenas 15% dos trabalhadores e 13% dos estudantes consideram obrigatório. Para os demais, conhecer IA pode ser um diferencial, mas não é tudo.
Preparação e formação: o desafio das universidades e do ensino
Outro ponto importante que identificamos está ligado à formação:
- Metade dos estudantes se sentem ao menos um pouco preparados para o mercado de trabalho voltado para IA;
- Entre quem concluiu a formação há mais de seis anos, esse índice despenca para 34%;
- Apenas 12% dos estudantes se sentem muito preparados para o futuro profissional com IA;
- Somente 23% tiveram cursos com IA no currículo regular, 22% tiveram acesso a ferramentas na escola, 11% fizeram disciplinas focadas e só 11% receberam orientação de centros de carreira;
- Entre trabalhadores formados há mais tempo, 88% não tiveram contato formal com IA.
Isso ajuda a explicar um outro dado que nos chamou atenção na Feedelize: 62% dos estudantes acreditam que a IA fez a faculdade valer menos a pena. E metade defende que matérias sobre IA deveriam ser obrigatórias na graduação.
Essa exigência cresce no grupo que já usa IA diariamente. Entre eles, 51% acham que o ensino formal sobre a tecnologia deveria ser mandatório para todos os profissionais do futuro.
Ouvindo o mercado e seus públicos
Como sempre destacamos em nossos conteúdos sobre pesquisas de mercado e métodos de pesquisa, é essencial entender como os públicos percebem as mudanças do próprio universo profissional. Ferramentas que reúnem feedback, como oferecemos na Feedelize, tornam essa escuta muito mais próxima, estratégica e decisiva para organizações adaptarem a formação e o ambiente para as novas gerações.
Nossa experiência mostra que, apesar dos receios e do clima de incerteza, o futuro pertence a quem une tecnologia e inteligência humana. Soft skills como empatia, criatividade, resiliência e capacidade de comunicação serão, cada vez mais, o verdadeiro diferencial, inclusive diante das máquinas.
Aposte em novas competências e acompanhe de perto as tendências
Na Feedelize, trabalhamos para ajudar empresas, profissionais e estudantes a entenderem melhor os próprios públicos, identificar tendências e agir rápido. Se você quer transformar a percepção e aumentar a satisfação dos seus públicos, conheça mais sobre estratégias de escuta ativa, feedbacks qualificados e tipos de pesquisa em nossos conteúdos exclusivos.
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