O mercado de trabalho mudou – e rápido. Nunca foi tão visível o contraste entre o desejo de crescer e a percepção das oportunidades. A ambição segue firme, mas o caminho nem sempre parece aberto.
“Muitos sonham com promoções, poucos veem portas abertas.”
Esse cenário aparece com força nos resultados da pesquisa SurveyMonkey, feita com 3.573 trabalhadores de tempo integral nos EUA entre 25 de julho e 3 de agosto de 2025. Os dados foram ponderados por fatores demográficos, com margem de erro de 2 pontos percentuais, e mostram com clareza os dilemas, aspirações e os obstáculos do mundo do trabalho em constante evolução.
A diferença entre sonhar e escalar
O relatório aponta um dado que quase ninguém gosta de admitir: apenas 28% das pessoas de fato estão satisfeitas onde estão. Mais da metade busca crescimento ou já pensa em trocas. E existe um grupo considerável (18%) que se sente simplesmente estagnado.
Essa insatisfação não se distribui de forma igual entre todos. Sentir falta de oportunidades é ainda mais comum entre os profissionais mais experientes, enquanto para os líderes, parece mais tranquilo enxergar e trilhar caminho para o alto.
Ambição das novas gerações
Geração Z traz uma força nova ao cenário. 33% desses jovens profissionais querem conquistar voos maiores em outra empresa, índice maior que entre Millennials (24%) e Geração X (22%).
Além disso, tanto a Geração Z quanto os Millennials acreditam que cumprir bem as tarefas já deveria bastar para ser promovido. Geração X e líderes pensam diferente: para eles, “fazer bem feito” não é suficiente por si só para a ascensão.
O desejo de alcançar cargos muito altos também varia bastante:
- 80% da Geração Z quer chegar ao topo da organização;
- 70% dos Millennials têm a mesma ambição;
- 57% para a Geração X.
Entre gêneros, a diferença persiste: 68% dos homens desejam cargos altos, contra 58% das mulheres. Este panorama já apareceu antes em estudos de felicidade e engajamento no trabalho, nos quais homens também relataram crescimento pessoal mais alto.
Por que as pessoas se esforçam?
Motivos variam, mas quatro razões se destacam e aparecem praticamente lado a lado:
- Oportunidades de crescimento (47%);
- Segurança financeira (47%);
- Inspiração dos colegas (42%);
- Reconhecimento social (41%).
Essas respostas sugerem que incentivos materiais e simbólicos importam muito – e mostram como políticas de valorização e desenvolvimento profissional podem ser atrativas. Se quiser entender como a percepção de reconhecimento e relacionamento com outras pessoas influencia os resultados, vale mergulhar nessas questões.

O fenômeno das side hustles e novas carreiras
37% dos trabalhadores já têm algum “side hustle”, um trabalho paralelo, enquanto 35% consideram começar. O dinheiro, claro, é motor principal: 48% buscam poupar para objetivos, 44% simplesmente para sobreviver e 37% querem desenvolver novas competências.
Uma conclusão curiosa: 70% acham recomendável ter fontes extras de renda. Isso reflete uma busca por segurança, mas também autonomia e desenvolvimento pessoal.
E novas profissões ganham espaço. 26% da Geração Z já consideram influenciadores digitais como possibilidade de carreira. O recado está dado: o mercado não se limita ao tradicional, nem a ascensão depende só do plano de carreira da empresa.
Condições, renda e aspirações financeiras
Dois terços afirmam que questões financeiras influenciam bastante as decisões profissionais. Quase todos definem uma meta de renda antes de realizar conquistas pessoais importantes – comprar casa, casar, mudar de cidade.
Sobre alternativas financeiras, os desejos se dividem entre:
- 46% gostariam de receber renda passiva (investimentos, aluguéis);
- 42% sonham em abrir o próprio negócio.
Nesse contexto, programas que favorecem transparência salarial e relacionamento honesto com os colaboradores nunca estiveram tão em alta.
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional?
Embora 78% se considerem relativamente equilibrados, 65% pensam que é preciso abrir mão do tempo pessoal para crescer profissionalmente. Esse movimento já foi detectado em pesquisas no Brasil: mais da metade dos profissionais recusaria uma promoção para preservar bem-estar.
Mas as rotinas mostram outro quadro:
- 55% detectam jornadas extensas nas empresas;
- 58% respondem mensagens depois do expediente com frequência;
- Apenas 6% nunca fazem isso – são raros mesmo.
Sentimentos contraditórios sobre o ambiente de trabalho
“Ficar conectado o tempo todo virou regra, nem sempre por vontade.”
No fim, os sentimentos são variados e, por vezes, pouco animadores:
- 30% são indiferentes;
- 25% se sentem valorizados;
- 10% felizes de fato;
- 14% ficam ansiosos;
- 18% se sentem incomodados.
E 34% têm medo de ser malvistos por demorar a responder. Além disso, 74% já trabalharam doentes e 85% recebem comunicações fora de hora algumas vezes ao mês. Talvez a expectativa de “dar conta de tudo” tenha ido longe demais.
Liderança, confiança e divergências
Diferenças entre líderes e liderados continuam em pauta. Apenas 32% dos colaboradores confiam que a liderança é transparente, contra 56% dos próprios líderes. E as expectativas, claro, também não coincidem: líderes miram promoções mais rapidamente e se motivam diferente dos demais.
No quesito dificuldades, surge outro ponto:
- Colaboradores relatam mais cansaço e dificuldade de saber prioridades;
- Líderes, por sua vez, reclamam de reuniões excessivas e distrações continuas.
Esse cenário reacende um tema recorrente nos debates sobre treinamento e onboarding de equipes, como abordado em conteúdos sobre treinamento de atendimento ao cliente e onboarding de clientes.
O novo normal (e o inesperado nas rotinas)
Trabalhar de casa parece ter lançado criatividade para todos os lados. Quase um terço já realizou atividades profissionais em festas, camas, cafés ou lugares inusitados. Muitos já atenderam reuniões do carro, das férias, do banheiro!

Em meio a tudo isso, 40% já fingiram estar ocupados em algum momento. Os incômodos do cotidiano são diversos: respostas demoradas, pausas demais, e-mails que não levam a lugar nenhum e excesso de jargão corporativo como “pensar fora da caixa” ou “fazer a maratona”.
O papel da tecnologia e as tensões da adaptação
O uso de IA generativa vem ganhando espaço: 20% já usaram em suas funções sem avisar lideranças (29% entre líderes) e 15% sem comunicar clientes. Uma mudança silenciosa, talvez, mas com impacto grande nas rotinas.
Os principais obstáculos para evoluir (e por que muitos desistem)
Além do já citado esgotamento, salários baixos, fama questionável das empresas, falta de transparência salarial, descrições vagas e processos seletivos burocráticos, com exigência de preencher manualmente dados já fornecidos, afastam inúmeros talentos.
- Segundo o Índice Sodexo de Qualidade de Vida no Trabalho, houve aumento de 4% na satisfação dos brasileiros, mas o descompasso entre desejo e realidade persiste.
- O engajamento também está em alta: o relatório State of the Global Workplace da Gallup mostrou avanço consistente, mas há muito a ser feito para alinhar aspirações individuais e oportunidades reais.
Nesse cenário fluido, ferramentas automáticas de feedback como as da Feedelize podem revelar o que realmente precisa de atenção. Afinal, ouvir mais, entender melhor e agir de forma ágil podem fazer toda diferença entre estagnar e crescer. Procurando mais histórias de caminhos profissionais? Veja como evoluir mesmo em ambientes desafiadores em nosso guia de carreira sólida em telemarketing.
Conclusão: aprendizados de quem está vivendo o agora
O novo cenário do trabalho mistura ambição, obstáculos e muita reinvenção. Talvez o segredo seja reconhecer o que trava, buscar voz ativa (e escuta genuína) e, quando possível, fazer diferente. Não dá para negar, as regras mudaram. Cada jornada, agora, parece ainda mais única.
“O que você faz para crescer depende também de como escuta e valoriza suas conquistas.”
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